Fechamento de Junho de 2018 e tributação dos dividendos



Assisti ao debate entre os principais economistas dos presidenciáveis promovido pelo jornal Valor Econômico. Foi bem interessante e polido. Não tivemos aqueles argumentos ralos e a utilização de expressões vazias de sentido – como neoliberal, esquerdista, coxinha, mortadela etc.

Detenho-me em dois pontos que me chamaram a atenção.

O primeiro diz respeito aos pontos de concordância entre eles. Sim, nesses tempos de gritaria e falácias, ainda há pontos de contato e compreensão da realidade. Todos admitiram que: i) há déficit da previdência e ele precisa ser direcionado; ii) concordaram que a trajetória fiscal da dívida e o nível de gastos é insustentável; iii) concordaram que a margem para aumento de tributação é contra produtiva, mas admitiram que dá para trabalhar na forma de destruição do encargo – e, por consequência, da necessidade de uma reforma tributária; iv) criou-se uma elite muito forte do funcionalismo e há discrepância relevante com os pares do setor privado, apesar da vantagem da estabilidade.

A forma e o caminho de solução destes problemas variam. No entanto, entendo que essa agenda – aos menos no campo econômico – já é suficiente para trabalharmos nos próximos quatro anos. Em outras palavras, há campo de concordância entre pessoas de ideologias e visões tão díspares ou, ainda, há esperança. Apesar da carga de utopia, seria interessante ver uma aliança programática nesses pontos. Arrumem e encaminhem o país e deixem as diferenças para as eleições de 2022. Já seria de grande valia.

O segundo ponto diz respeito a um tópico da tributação. No rearranjo da carga tributária, todos – e prestem atenção no TODOS – concordaram sobre a necessidade de taxar os dividendos. O Pérsio Arida, um dos melhores no meu entender, teve a visão de distinguir os dividendos recebidos por pessoas físicas que exercem atividade no regime tributário de pessoa jurídica (vulgos “PJs”), daqueles distribuídos por sociedades anônimas para os acionistas. Também foi cogitado, mas não lembro exatamente por quais economistas, da redução da tributação sobre o lucro da sociedade empresária, aumentando, no entanto, a tributação na distribuição dos dividendos.

Infelizmente, não foram abordados os efeitos colaterais da tributação sobre os dividendos, como, por exemplo, um desincentivo a mais para a pessoa física ingressar no mercado de capitais (e não só no de dívida, como prepondera hoje); a não diferenciação entre a pessoa física que aplica R$10.000,00 em uma empresa e o controlador ou controladores que detêm uma quantidade que, em tese, justificaria uma tributação; nada sobre tributação em faixa de renda; o incentivo a que a sociedade empresária não distribua dividendos além do mínimo legal.

Fato é que a tributação sobre os dividendos é cada vez mais plausível e nós investidores temos que estar com isso nos cálculos para um horizonte próximo. Ademais, creio que os olhos logo se voltarão para os aluguéis dos fundos imobiliários. Eles serão incluídos no mesmo balaio quando da discussão dos dividendos. A conferir.

Ah, o Paulo Guedes não aceitou o convite para o debate.

Voltando para o meu umbigo, o mês de junho foi novamente de prejuízo:

Rentabilidade em junho de 2018.............................. -2,74%
Rentabilidade no ano de 2018 .................................. -4,72%
Rentabilidade histórica (desde agosto de 2016) ....... 20,23%

Se eu considerar o imóvel no cálculo, as rentabilidades seriam -1,89%, -3,33% e 18,98%, respectivamente.

Mais um mês de queda desta magnitude me jogará abaixo do CDI do período. Não é nada fácil vencer o CDI com consistência. Apesar disto, estou bem confortável com meus investimentos e consigo dormir como uma pedra a noite.

Ainda vendo o copo meio cheio, os proventos recebidos até a metade deste ano já são 87% daqueles recebidos em 2017.

Em junho não fiz aporte e não comprei nada com os proventos, criando caixa. Agora em julho vou realizar um aporte gordo e deixar em caixa ou SELIC para aproveitar novas oportunidades quando mandarem o Lula para a domiciliar – pois é, creio que isso seja factível.

No mais, ainda nada de enviar um pouco de dinheiro para o exterior para começar uma poupança em dólares.

No campo pessoal, o clima no trabalho melhorou e creio que não ficarei desempregado. No entanto, estou exausto e há dias que penso em largar tudo e tentar advogar na minha cidade natal.

Abraço!

















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