sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

Os Senhores da Razão

Em outubro a Universidade Federal de Pernambuco foi ocupada por estudantes que queriam protestar contra a PEC do teto e gastos no orçamento federal. A ocupação durou próximo de dois meses, terminando no dia 22 de dezembro. Qual o resultado dos atos? O de sempre quando envolve esses atores – depredação e violência.

Foram aproximadamente dez salas e laboratórios depredados, além dos já clássicos furtos, conforme informa um jornal de Pernambuco. Os ditos estudantes não pararam por aí, mas também picharam frases incitando a agressão e ameaçando alguns professores – entenda-se, aqueles que não se curvaram à doutrina marxista.

Uma das frases pichadas foi “Stalin Matou pouco”, justamente na sala do Professor Rodrigo Jungmann, o qual possuí estudos e produção no campo discordante com a doutrina marxista. Havia outra nesse sentido: “Mais luta, menos Lattes”.

Segundo consta em dos jornais que li, o professor Francisco Sá Barreto lamuriou a destruição do prédio e alegou que uma resposta violenta para um pensamento diferente enfraquece a todos. Concluiu que há necessidade de discussão e reflexão sobre o ocorreu. Uma bela retórica, tão só.

É sintomático o ocorrido na UFPE e em outras Universidades Federais. Um grupo bem pequeno de estudantes se acham iluminados e profetas da razão. Aquilo que eles acreditam é a verdade, única e pura, para a qual todos devem baixar as cabeças. São os discípulos de Marx e outros, para quem a divergência não deve existir. E quem ousar discordar merece um gulag.

A vida intelectual no Brasil anda difícil. Universidades tomadas pelo pensamento pasteurizado do marxismo, viúvas de uma ideologia que nunca se mostrou apta a trazer desenvolvimento e prosperidade ao homem.  São agressivos ao pensamento oposto. Tudo que tenta mostrar a visão errada que carregam são logo marcados como burgueses, capitalista, reacionários etc.

E quais as consequências? Nenhuma. Nenhum aluno expulso, nenhuma penalidade relevante, pois é “proibido proibir”. Alguma discussão sobre os estudantes profissionais – aqueles que ficam anos no mesmo curso, nada produzindo e sugando o recurso do Estado? Somos covardes.

A queima dos livros

Mas o que mais chama a atenção neste episódio, conforme denuncia Ernani Rodrigues de Carvalho, é a queima de livros considerados de “direita”. Sente-se regredindo anos na história? Pois é, eu também. Mas acalme-se, você evoluiu. Eles, sem surpresa alguma, não.

Por honestidade esclareço que não foram todas as ocupações que terminaram assim. O mais afetado foi o departamento de filosofia e ciências sociais. O ‘movimento’ também divulgou nota tentando justificar o injustificável com as razões de sempre.

Ao fim, uma frustração me resta: quais os livros de “direita” foram queimados? Estou muito curioso. Doaria o dobro, e de bom grado!


Fontes:
Folha
Diário de Pernambuco
CARVALHO, Ernani Rodrigues de. Stálin Nunca Mais!. Jornal Folha de São Paulo, edição de 06-01-2017, pg. A3.


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