Missiva RT - Janeiro de 2019

INDICADORES RT
Rentabilidade em Janeiro de 2019: + 5,60%
Rentabilidade histórica (desde agosto de 2016): + 42,73%
Proventos recebidos: R$ 571,00
Taxa de poupança do mês: 57%
Mês supervalitivo para todos. Na última vez que tive uma rentabilidade mensal na faixa dos cinco por cento foi em outubro de 2018. Bom revisitar esse sentimento em tão curto espaço de tempo.
Em janeiro consegui aportar um dinheiro novo razoável, mas mandei ele descansar em SELIC enquanto resolvo onde mirar o cano da carteira.
Fevereiro será um mês de mudança mais profunda na minha carteira. Vou exercer um belo lucro no tesouro direto e limpar alguma porcaria da carteira de ações. Meu pré-fixado 21 já me entrega + 8,35% em seis meses. Inflação 35 entrega + 23,83%, ao passo que inflação 50 entrega uma delícia de + 42,17%.
No campo profissional, janeiro não foi o um mês amigável, apesar da minha taxa de poupança acentuada - mais de esforço no controle de gastos do que de receita do serviço.
Observem o peso do meu sócio neste mês de janeiro:
O meu exercício profissional continua sendo objeto de reflexão interna. Devo continuar neste caminho ou largar tudo e tentar algo de novo em minha cidade natal? Vale romper essa algema de prata (não chega a ser uma de ouro)?

No desenvolvimento pessoal, pretendo adquirir o curso de ações dos EUA do nosso colega Viver de Dividendos. Acho que ele está capacitado a prestar um serviço de qualidade. E, no que pude ler até agora, a estratégia de crescimento de dividendos me despertou maior interesse do que a estratégia de ETF na Irlanda.
Ainda no campo de desenvolvimento pessoal, iniciei os primeiros passos na filosofia de Eric Voegelin. Optei, porém, em começar com uma obra de um “discípulo intelectual” seu, o Ellis Sandoz. Após essa base, lerei a obra acerca da filosofia civil do Voegelin escrita pelo Mendo Castro Henriques. E, terminado esse itinerário, partirei para as reflexões autobiográficas do próprio Voegelin.
Nas primeiras semanas de janeiro li a obra “Em defesa do preconceito”, do Theodore Dalrymple (pseudônimo do psiquiatra britânico Anthony Daniels).
Gostei da argumentação dele acerca da importância das ideias preconcebidas, e dos colaterais advindos da crença e até da ação de alguns em colocar sobre o outro o ônus de preconceituoso, na crença de uma possibilidade de esterilizar o ser humano dessas ideias.
Particularmente, gostei desse trecho. Olhem que reflexão interessante:
“De fato, não ser convencional tornou-se para elas [as pessoas que não aceitam convenções sociais preconcebidas] uma virtude em si, da mesma forma que a originalidade se tornou hoje uma muleta para aquelas pessoas cujas aspirações artísticas excedem em muito o seu talento”
A acidez e o sarcasmo britânico é diferenciado.
Tentando aplicar a realidade do livro para o Brasil, entendo e vejo que é comum o cidadão médio ansiar e desejar por cada vez mais direito. Direito, em geral, desprovido de obrigação. Ou seja, uma delegação voluntária da autonomia e da responsabilidade individual para o Leviatã, para que ele lhe confira direitos e um escudo jurídico.
Por escudo jurídico quero dizer: o cidadão se avoca no exercício do poder de praticar qualquer conduta que não seja expressamente proibida e, na primeira recriminação moral, ele ergue o escudo jurídico e diz “não há lei que me proíba”. Nesse sentido, ele mitiga - se não exaure - qualquer valor da tradição e de ideias preconcebidas que se desenvolveram no tempo pelo costume social. Significa dizer, alguns não mais valorizam qualquer valor advindo da experiência social, da família, da prudência. Ao contrário, o veem como opressão.
Nas palavras do autor:
“Isso, é claro, torna as leis e, portanto, aqueles que as produzem, os árbitros morais da sociedade. São eles que por definição decidem o que é e o que não é permissível. Todo e qualquer estigma é removido das condutas outrora moralmente condenáveis. [...] dessa forma, a corporativização da sociedade prossegue pari passu com a ampliação do egoísmo desenfreado”.
Um parêntese para os mais afobados (e são cada vez maiores). Em nenhum momento o autor defende o racismo, a homofobia e outros preconceitos danosos. Aliás, isso é deixado bem claro já no início da obra.
Para destrinchar o porquê dessa eleição das ideias preconcebidas como um monstro a ser erradicado, o autor acha a sua gênese na obra intelectual de John Stuart Mill. É nesse ponto que reside meu descontentamento com o livro.
O autor é, por vezes, objetivo demais na construção de suas ideias. Talvez eu necessite revisitar o livro para compreender se, de fato, faz tanto sentido achar a semente da desvirtuação dos freios dos preconceitos na ideais de Mill. Infelizmente, o mais provável é que o meu arcabouço filosófico ainda seja fraco.
Finalizando, o capítulo que mais me chamou a atenção denomina-se “os terríveis efeitos sociais ao se abandonar certos preconceitos”, onde o exemplo dado é acerca da violência contra a mulher. O desenvolvimento é muito interessante, e pretendo fazer um resumo na próxima postagem.
Abraço a todos!

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